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Líder de facção é morto com mulher e motorista; crianças estão desaparecidas

Publicado dia 02/05/2017 às 06h28min
Familiares acreditam que meninas estejam vivas, já que a bolsa com mamadeira e itens pessoais não foi encontrada no veículo

A Polícia Civil investiga um triplo homicídio na zona rural do município de Pedrão, no Centro-Norte baiano, e o desaparecimento de duas meninas, de 1 e 5 anos, que, segundo familiares, estavam com as vítimas no momento do crime, no último sábado (29). Robson Luís Gomes Lima, 32 anos, conhecido como Robin, seria o principal alvo do ataque - ele é um dos líderes da facção Katiara, que atua principalmente no Recôncavo e em bairros de Salvador como Valéria e Águas Claras.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Robin tinha um cargo relevante dentro da organização criminosa e era o responsável por fazer contato entre os principais líderes do bando.

Filhas de Robin estão desaparecidas desde o dia do crime. Juliana, mãe das vítimas, também foi morta 
(Foto: Reprodução)

Além dele, também foram mortos Danilo Luiz Araújo Souza, 24, e a esposa de Robin, Juliana Conceição do Nascimento, 23. Os corpos de Danilo e Juliana estavam dentro de um EcoSport prata. alugado, placa PYH-2296, de Belo Horizonte (MG). Os dois foram encontrados com várias marcas de tiros no tórax e na cabeça dentro do veículo, que era dirigido por Danilo, às margens da BA-515, na zona rural de Pedrão. Já o corpo de Robin só foi localizado pela família neste domingo (30), com tiros na cabeça, em um matagal nas proximidades de onde ocorreu a abordagem. Ainda de acordo com a SSP, Danilo e Juliana também tinham envolvimento com a facção.

Os três corpos foram levados para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Alagoinhas, no Nordeste do estado, e já foram liberados. Danilo foi levado para o cemitério Nossa Senhora dos Aflitos, no município de Nazaré, no Recôncavo. O corpo de Robin foi encaminhado para Salvador, onde foi sepultado na tarde desta segunda-feira (1º) no Cemitério Bosque da Paz, assim como o de Juliana. 

De acordo com um policial civil, que não quis se identificar, no carro também foram encontradas uma espingarda artesanal e uma pequena quantidade de cocaína e crack. O paradeiro do veículo, que também foi alvo de tiros, não foi informado.

Segundo a assessoria da SSP, Robin possuía ligação direta com o irmão do traficante Adilson Souza Lima, conhecido como Roceirinho, preso em 2012 e custodiado no Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS). Robin já foi alvo de investigação da SSP. A motivação e a autoria das mortes estão sendo investigadas pela 2ª Coordenadoria de Polícia no Interior (Coorpin/Alagoinhas).

No sábado passado, após a morte do traficante, houve reforço do policiamento no final de linha de Valéria, por conta de boatos sobre toque de recolher - o traficante tinha uma casa no bairro. Em nota, a Polícia Militar informou que o bairro segue com o policiamento de rotina por meio de viaturas da 31ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Valeria) e Rondesp-BTS.

Enterro
O corpo de Robin foi enterrado às 14h30, sob protestos de familiares que estão inconformados e cobram a localização das meninas. Eles, inclusive, estavam com camisas com fotos delas. Segundo os parentes, as filhas do casal estão desaparecidas desde o dia do crime, mas acreditam que as crianças estejam vivas, já que a bolsa com mamadeira e itens pessoais não foi encontrada dentro do veículo.

Familiares e amigos exibem cartazes para pedir respostas sobre paradeiro de meninas
(Foto: Bruno Wendel/CORREIO)

Roberto Luís do Rosário Lima, pai de Robin, contou ao CORREIO que o filho mora em um sítio na zona rural de Pedrão e estava a caminho de Salvador para comemorar o aniversário de 33 anos em sua casa, em Valéria. "Eu quero minhas netas vivas ou mortas. Se estiverem mortas quero poder enterrá-las", desabafou Roberto Luís durante o sepultamento do filho.

Uma avó de Juliana disse que só vai ter sossego quando acharem as bisnetas dela. "Existe esperança de encontrar elas vivas. Não vou desistir. Assim como eu fui lá e achei meu filho, eu vou agora e vou achar minhas netas. Essa agora é minha prioridade, porque meu filho já foi e não vai voltar". 

Foram necessários quatro ônibus fretados para transportar os amigos e familiares de Robin até o cemitério. Equipes da PM estiveram no local e revistaram os coletivos.

Questionado pelo CORREIO sobre o envolvimento de Robin com o crime, o pai disse desconhecer as acusações e informou que ele trabalhava como jardineiro e estava casado com Juliana havia 10 anos. "A gente cria os filhos, mas não controla natureza", comentou. 

 

Infor: Correio*


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Fonte: Correio da Bahia

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